61 socos em um elevador.

Não foi um surto. Foi escolha. Foi agressão repetida, cravada no corpo de quem não tinha mais como fugir. E mesmo depois de tantos golpes, o que mais doeu não foi a pancada — foi o silêncio de quem viu o vídeo e disse: “Mas por que ela não saiu antes?” É sempre assim. O julgamento vem antes da ajuda. E ninguém imagina o que é viver com medo. Medo de morrer se sair. Medo de morrer se ficar. Medo de procurar justiça e ser desacreditado. Medo de pedir socorro e escutar: “Isso é coisa de casal.” Agressão não acontece só com mulheres. Acontece com homens gays que se escondem porque têm medo de serem ridicularizados. Acontece com pessoas trans que já não confiam nem na polícia, nem na lei. Acontece com quem parece forte, independente, sorridente… e por dentro, está em pedaços. A dor de quem sofre agressão vai além do hematoma. É a alma que adoece. É o coração que se fecha. É o futuro que paralisa. E quando a justiça falha, o medo cresce. O silêncio cresce. A impunidade cresce. E a dor, que deveria ser passageira, vira rotina. Esse texto é por quem ainda não conseguiu sair. Por quem saiu, mas carrega cicatrizes que ninguém vê. Por quem gritou em silêncio e não foi ouvido. Por todas as vozes que ainda não foram silenciadas — e precisam ecoar. Porque não é exagero. Não é drama. É real. E pode estar acontecendo agora, dentro da casa ao lado. Ou no elevador, no quarto, no carro, na alma. Chega de julgar quem apanha. Comece a questionar quem bate.

Porque minha velha estante?

A princípio, queria algo que remetesse a um lugar onde eu pudesse guardar minhas coisas — das mais antigas às mais novas. Minhas criações, dicas, ideias e tudo o que uso no meu dia a dia para realizar meus trabalhos: materiais que encontro, acho legais, notícias e muitas outras coisas que considero relevantes e que merecem um espaço na minha estante. Minha Velha Estante é onde eu guardo tudo isso — e mais: é onde falo sobre o que guardo em mim e na minha mente. Um lugar de descarregar o que sinto, vejo e penso. Uma espécie de extensão do que sou, com prateleiras de pensamentos, experiências e inspirações. Não coloquei nada relacionado ao design no nome do blog porque sou muito imprevisível, e meu foco é deixar essa estante disponível para ajudar quem precisar. Aqui você encontrará links e materiais que podem ser especialmente úteis para designers iniciantes. Mas como nem só de criação gráfica vive um designer, também teremos momentos para desopilar e sair da bolha de pressão que é a vida no design gráfico. Dicas de músicas, filmes, séries e outras formas de inspirar e ajudar no processo criativo também estarão por aqui. Como uma estante de biblioteca pública, assim será a minha velha estante: aberta, acolhedora e compartilhada. Sinta-se à vontade para meter a mão. :)

61 socos em um elevador.

Não foi um surto. Foi escolha. Foi agressão repetida, cravada no corpo de quem não tinha mais como fugir. E mesmo depois de tantos golp...